Cerca de 15 meses após início da pandemia do novo coronavírus, o Brasil atingiu, neste sábado, a triste marca de 500 mil mortes por covid-19. Chegando a 500.022 óbitos e 17.822.659 casos confirmados.

De acordo com especialistas, os números escancaram a má gestão da crise no país.A média é de mais 1.080 mortos por covid-19 por dia ao longo de mais de 440 dias desde a primeira vítima fatal confirmada no país. No pior momento da pandemia, enquanto diversos países já avançavam com a vacinação, em abril, o Brasil chegou a ultrapassar mais de 4 mil mortes por dia. 

Em todo o mundo, o Brasil segue como o segundo país com mais mortes por coronavírus confirmadas, atrás apenas dos Estados Unidos, com mais de 600 mil vítimas perdidas.Durante a pandemia, o Brasil passou por diversos momentos críticos, por exemplo, a falta de oxigênio no estado do Amazonas, além da escassez de medicamentos para o chamado “kit intubação”.

Ainda nesse cenário trágico, o governo federal segue desestimulando a adoção de medidas restritivas mais rígidas para conter a propagação do vírus.

O país também lida com novas variantes da covid-19, que apresentam maior poder de contágio. Ao longo desse mais de um ano de pandemia, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deu diversas declarações que iam em desencontro às recomendações das principais instituições de saúde do mundo, mostrando-se contrário às medidas sanitárias e de isolamento. As afirmações negacionistas sobre a covid colocaram em dúvida a gravidade da doença, confundindo e desinformando a população.

Vacinas em segundo plano

Bolsonaro, diversas vezes, colocou em dúvida a eficácia das vacinas. Além disso, contrariando as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), o governo apostou em medicamentos que a ciência já havia provado que eram ineficazes contra o coronavírus, como a hidroxicloroquina.

Vale lembrar que diversos países decidiram fechar contratos, em caráter emergencial, para a compra de imunizantes. A título de comparação, no mês de julho, os EUA já haviam tratado acordo com três farmacêuticas, já tendo a disposição um número de doses que cobriria 93% de sua população.

No mês seguinte, Canadá, Vietnã, Brasil e países da União Europeia conseguiram garantir as  suas primeiras reservas. No caso brasileiro, o anúncio envolvia 90 milhões de doses da AstraZeneca e a transferência de tecnologia para a produção da vacina no Instituto BioManguinhos, vinculado à Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz). Nesse mesmo mês de agosto, os Estados Unidos já contavam com uma quantidade de imunizantes suficiente para proteger 139% dos americanos, ou seja, o país já tinha sobras para vacinas.

Em 20 de outubro do ano passado, o Ministério da Saúde anunciou que tinha negociações avançadas para garantir 46 milhões de doses da Coronavac, que seriam fabricadas no Instituto Butantan, porém, no dia seguinte, Bolsonaro anunciou o desacordo através de um post em suas redes sociais.

“A vacina chinesa de João Doria, qualquer vacina antes de ser disponibilizada à população, deve ser comprovada cientificamente pelo Ministério da Saúde e certificada pela Anvisa. O povo brasileiro não será cobaia de ninguém. Minha decisão é a de não adquirir a referida vacina”, escreveu o presidente.

Após a negativa inicial de Bolsonaro, o contrato só foi assinado no dia 30 de dezembro de 2021.No caso da Pfizer, o Brasil optou por esperar encontrar doses em um preço mais baixo, com isso, quando decidiu fazer negócio, ficou com poucas opções de compra e hoje o país encara uma vacinação em ritmo lento.

Um dos argumentos do governo para justificar a demora na negociação com a Pfizer seria a presença de algumas cláusulas no contrato da farmacêutica, classificadas como “draconianas”, que poderiam isentar o laboratório de culpa caso acontecessem efeitos colaterais após a imunização.

“Lá no contrato da Pfizer, está bem claro: nós (a Pfizer) não nos responsabilizamos por qualquer efeito colateral. Se você virar um jacaré, é problema seu. Se você virar Super-Homem, se nascer barba em alguma mulher aí, ou algum homem começar a falar fino, eles (Pfizer) não têm nada a ver com isso. E, o que é pior, mexer no sistema imunológico das pessoas”, disse o Jair Bolsonaro em uma frase que ficou marcada.

Um dos argumentos do governo para justificar a demora na negociação com a Pfizer seria a presença de algumas cláusulas no contrato da farmacêutica, classificadas como “draconianas”, que poderiam isentar o laboratório de culpa caso acontecessem efeitos colaterais após a imunização.

“Lá no contrato da Pfizer, está bem claro: nós (a Pfizer) não nos responsabilizamos por qualquer efeito colateral. Se você virar um jacaré, é problema seu. Se você virar Super-Homem, se nascer barba em alguma mulher aí, ou algum homem começar a falar fino, eles (Pfizer) não têm nada a ver com isso. E, o que é pior, mexer no sistema imunológico das pessoas”, disse o Jair Bolsonaro em uma frase que ficou marcada.