Colunista Lorena Serpa | Atitudes e Exemplos

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Me recordo que há tempos todos nós tínhamos alguém como modelo de conduta moral, familiar, profissional e tantos outros em nossa vida, mas olhando ao redor, parece que esse alguém está desaparecido. O que será que aconteceu?

Ouvindo uma entrevista dentro do assunto de uma disciplina do campo da terapia, fiquei a pensar sobre a questão de atitudes e exemplos. Não vou aqui entrar no campo espiritual, ou até mesmo cívico, mas exclusivamente sobre atitudes e exemplos. A narrativa da entrevista era a seguinte:

“uma mulher falava sobre estar num relacionamento ao qual ela jamais havia tido durante toda a sua vida, ela de fato havia se entregado de corpo e alma e estava vivendo os melhores dias de sua vida, até que chegou uma correspondência a cerca do seu prazo estar expirando quanto ao visto, sendo ela pertencente a uma outra nação/etnia e por causa disso ela deveria voltar ao seu país até conseguir um novo visto, autorização para retornar ao país onde se encontrava.

Ao falar sobre essa notícia com a pessoa a qual ela estava se relacionando, observou-se uma tempestade a vista, entre muitas falas boas e ruins, surgiu a proposta de casamento, além de estarem vivendo o melhor momentos de suas vidas, o casamento poderia ajudar quanto ao visto de cidadã, não correndo o risco em ser deportada. Ao ouvir a palavra casamento a mulher, (vou usar um nome fictício): Sara, entrou em pânico, trazendo espanto a Jhonatan. Ela disse: eu não acredito em casamento, isso é um mero ato, um pedaço de papel a ser cumprido perante a sociedade.

Eu sou casada com você! O fato de morarmos juntos e eu trazer toda minha vida para essa casa demonstra o quanto sou comprometido com você. Jhonatan sem entender, fala que o casamento é uma união eterna entre duas pessoas, que selam seu amor e seu compromisso. Sara muito resistente e totalmente descontrolada sai batendo a porta. Caminhando pela rua a fim de trazer lucidez a sua mente, sente seu telefone vibrando. Ao atender tem do outro lado uma grande amiga que muito a conhece e ao perceber o tom de sua voz e o quanto sua respiração estava ofegante, Manuela (nome fictício) pergunta o que estava acontecendo. Sara relata o ocorrido e Manuela diz para ela que tudo aquilo era medo, que era o passado batendo a sua porta e naquele momento Sara interrompe:

“você sabe que casamento para mim é sinônimo de dor, discussões sem fim, separação de irmãos e uma vida vivida sem ser sua”. Esse relato se dava a sua experiencia familiar. Seus pais enfrentaram momentos de eterna discussão, até chegar ao divórcio onde seus filhos, Sara e Otávio foram separadas, cada um ficou com um dos pais e viveram suas vidas separados, vindo se encontrar já quando estavam adultos. Por isso, para Sara o casamento era uma experiência amarga que ela não queria para sua vida. De forma muito sábia Manuela diz a amiga que as escolhas na vida de cada pessoa são únicas e os exemplos do passado servem para que não façamos, não venhamos a praticar aquilo que nos causa dor, ou venha a machucar o outro e a experiências dos pais dela, não significava ser a dela, uma vez que ela encontrara alguém ao qual ela jamais se apaixonou da forma que se encontrava.

Para que vocês não fiquem curiosos, no meio do caminho rumo ao aeroporto, Sara decide dar uma chance as suas próprias experiências e não carregar uma carga e uma dor que não lhe pertencia e sim, ela aceitou pedido de casamento.

Com isso, fiquei a pensar o quanto os relacionamentos familiares são responsáveis pelo comportamento dos jovens em nossa atual sociedade, não somente hoje, mas durante todo nosso percurso de vida. Você já percebeu que na grande maioria muitos não desejam constituir uma família? E se você pergunta o motivo, de forma quase absoluta (existem exceções) a resposta sempre é: não quero passar pelo que  minha mãe, ou meu pai, ou aquela pessoal que me criou passou.

Talvez se os pais entendessem que seus exemplos interferem de forma direta e totalmente interiorizada na vida de seus filhos, teríamos maridos que de fato honrariam suas esposas, seriam íntegros e féis. Da mesma forma esposas que sentissem segurança, que se permitissem ser cuidada e amadas, onde permitissem pela confiança ter o marido como o provedor e de fato o líder de sua casa. Se os pais parassem de colocar a culpa na escola, no governo, nos amiguinhos e voltassem para si, suas atitudes e os exemplos que eles apresentam a seus filhos, e o quanto isso influenciará no adulto que ele será, talvez, nós teríamos uma sociedade muito diferente da que temos hoje.

Os consultórios estão lotados de adolescentes e jovens, cheio de traumas e emoções confusas pelo exemplo que eles vêm dentro de suas próprias casas, o lugar que deveria ser seu porto seguro e não o contrário. Não falo com isso, ou permito ser entendido atitudes de permissividades, pelo contrário, limites, dizer não é um ato de amor, ensinar que a vida não é um conto de fadas é sim amar, no entanto, todo amor precisa ser racional e ele precisa ser equilibrado.

Quem sabe um dia, os espelhos sejam virados para nós, as escolhas sejam coerentes com os muitos discursos, e os exemplos sejam aqueles que fazem com que a gente queira ser igual aquela pessoal cheia de defeitos, mas que luta diariamente para ser sua melhor versão!

Lorena Serpa

Pedagoga

Especialista em MBA Gestão Empresarial

Estudante de Psicopedagogia Clínica e Psicoterapia