Justiça determina prisão preventiva de padrasto e mãe de menina de 4 anos morta em Petrópolis

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A Justiça do Rio de Janeiro determinou a prisão preventiva de Lucas Alves Guimarães, de 26 anos, e Juliana Mirandella, de 29 anos. Eles são padrasto e mãe de Angelina Mirandella, de 4 anos, que morreu na última quinta-feira (15) em Petrópolis, na Região Serrana do Rio, por traumatismo craniano por espancamento, segundo laudo.

De acordo com a polícia, a menina foi morta espancada pelo padrasto, tendo a mãe omitido o fato. Eles foram presos em flagrante na última sexta-feira (16).

No início da tarde desta segunda, o juiz Antonio Luiz da Fonseca Lucchese, da Central de Audiências de Custódia (CEAC) de Benfica do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), acatou o pedido do Ministério Público para converter a prisão em flagrante do casal em prisão preventiva.

A Defensoria Pública chegou a requerer a concessão de liberdade provisória, mas não teve sucesso.

“a prisão se mostra necessária e proporcional […] devendo ser destacado que os fatos imputados aos custodiados são tipificados como crime grave, notadamente porque dos autos se extrai que o indiciado teria agredido de forma violenta a vítima, uma criança de quatro anos e sua enteada, que, mesmo após o socorro médico, veio a óbito com diversos hematomas pelo corpo. Já a mãe, ora indiciada, teria se omitido, porquanto sabedora do ocorrido, nada teria feito”, afirmou o juiz.

Além de pedir pela prisão preventiva dos suspeitos, o MPRJ também requereu a expedição de ofício para a Promotoria da Infância e Juventude de Petrópolis atuar no caso e para o Conselho Tutelar. Isso porque, para o MP, houve uma possível omissão dos conselheiros tutelares no caso, já que eles já teriam ciência da situação da criança e, segundo o Ministério, não teriam tomado qualquer medida para tentar resolver o problema em questão.

O juiz também acatou esses pedidos e determinou que a Promotoria da Infância e Juventude de Petrópolis apure a ação do Conselho Tutelar no caso.

G1 pediu um posicionamento do Conselho Tutelar de Petrópolis e aguarda o retorno.

Laudo aponta tortura

De acordo com o laudo prévio de necropsia, obtido pela TV Globo no último sábado (17), Angelina foi vítima de tortura e violência continuada. A causa do falecimento foi traumatismo craniano por espancamento. Foram identificadas hemorragia no crânio, fígado e no intestino grosso. O exame apontou ainda uma cicatriz na perna esquerda típica de queimadura por garfo quente.

No documento há ainda a informação de lesão na região cervical, que teria sido produzida por tentativa de esganadura. Na parte externa do corpo, o documento revela uma sessão de tortura, com marcas roxas e azuis (equimoses em estágios diferentes de evolução sugerindo violência continuada).

Padrasto confessou o crime

Após ser preso na última sexta-feira suspeito da morte de Angelina Mirandella, o padrasto da criança confessou o crime, segundo a polícia.

Em depoimento na 105ª DP (Petrópolis), Lucas Alves Guimarães disse que as agressões começaram depois que a menina urinou na cama, se negou a tomar banho e rasgou a cortina banheiro.

Ele contou que, após agredi-la com um chinelo, arremessou uma sacola em Angelina, que se desequilibrou e caiu. A polícia, no entanto, afirma que a criança tinha marcas de tortura e foi morta com sinais de violência.

Segundo o suspeito, o episódio teria ocorrido no início da tarde de quinta-feira, mas somente no início da noite a vítima teria apresentado algum sintoma em decorrência da queda.

Para justificar as agressões, Lucas disse que agredia a menina e o filho mais velho da companheira, Juliana Mirandella, por eles serem “um entrave ao relacionamento do casal”. Ambos vão responder por tortura qualificada e homicídio qualificado.

“Me atrapalhava. Não sei o que dava na minha cabeça…. Eu falava uma vez, falava duas, ela não obedecia. Aí eu perdia a paciência”, admitiu Lucas à polícia.

De acordo com a Polícia, o laudo pericial atestou ainda que Angelina era vítima da denominada Síndrome de Silverman, ou síndrome da criança espancada.