Colunista Lorena Serpa | Queira o que é original

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Nos anos 90 surgiram os produtos intitulados “xinguilingue”, estes “tentavam” replicar produtos que naquela época eram muito caros. Um desses exemplos era a famosa Barbie, ela tinha movimento nas mãos, era possível colocar um anel e mais alguns acessórios como óculos, pulseiras, sapatos chiquérrimos. Ela tinha um cabelo muito bonito, seu rosto tinham os detalhes perfeitos dos olhos, nariz, a boca e um sorriso lindo, sobrancelhas perfeitas, seu quadril girava e suas pernas também eram dobráveis. Era esse o sonho de “toda” menina. Já a “bárbie” xinguilingue, não possuía movimento com as mãos, os pés eram mais largos, suas pernas não dobravam, assim como seu quadril também não girava; O rosto era mais largo e as expressões nos detalhes uma pouco mais grosseiras; Não vinha com acessórios e não haviam “furos” para que esses fossem usados. O cabelo tinha toda “cara” de artificial, não que a Bárbie original não fosse, mas nessa, era muito mais aparente. Seu valor era bem mais acessível.

Quero ressaltar que não estou fazendo alusão ao capitalismo e ao meio de consumo, o que quero aqui expor é sobre os detalhes e para que fique ainda mais fácil de trazermos isso para mais perto quero continuar pensando. Agora, falando sobre a natureza, a criação. Você já parou para observar a infinidade dos detalhes que há na natureza? Vamos trazer ainda mais perto; pense nas flores, as espessuras das folhas, algumas são mais tensas, outras finas quase uma pluma, outras possuem as bordas abaloadas, outras são pontudas, outras pequenas e outras enormes; as cores são uma verdadeira obra prima por tamanha criatividade e beleza. Ainda tem os perfumes, o pólen que se espalha pelo ar, as que são medicinais, as que purificam o ar e tantos detalhes mais. No entanto, você encontra as flores artificiais, em sua maioria são de plástico ou um material similar a um tecido; Elas tem algumas tonalidades, não exalam perfume, não são capazes de purificar o ar, não trazem consigo a mesma beleza da flor natural; Elas até cumprem a função de peça decorativa, mas, são incapazes de tomar o lugar do produto original;

Por que devemos pensar sobre isso que relevância isso tem para nós? Como disse acima não estou fazendo nenhuma referência ao capitalismo e ao consumo, mas aos detalhes. Há muita gente se contentando com pessoas “artificiais”, com coisas artificiais, porque simplesmente essas podem ser substituídas por uma mais fácil, mais barata; criou-se a falácia que o importante é “suprir” a função da peça ou padrão original. Há tanta gente comendo farelos, ao invés da verdadeira refeição sentado à mesa, porque perdeu-se o olhar da beleza dos detalhes;

Os detalhes revelam o verdadeiro caráter, a verdadeira função, a originalidade o motivo pelo qual tal coisa existe e veio a existir. É através do detalhe que conhecemos a essência. São os detalhes que revelam as intenções e motivações do coração.

Não se contente com o “xinguilingue”, enquanto você pode usufruir do original; não se contende com um amor artificial por pensar ser esse capaz de ocupar o lugar do amor da essência. Não se contente com os farelos que caem da mesa; não se contenha com a sobra, enquanto você pode ter aquilo que é inteiro;

Recuse imitações baratas, por medo de ir mais fundo em conhecer a essência das coisas, pessoas e da vida!

Perceba os detalhes!

Lorena Serpa

Pedagoga

Especialista em MBA Gestão Empresarial

Psicopedagoga Clínica e Estudante de Psicoterapia

Escritora