Polícia Civil realiza operação contra fraude no Sindicato dos Taxistas do Rio de Janeiro

Sete mandados estão sendo cumpridos

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RIO – Policiais civis da 4ª DP (Praça da República) cumprem, neste momento, mandado de busca e apreensão na sede do Sindicato dos Taxistas Autônomos do Município do Rio de Janeiro, no Centro da cidade. A ação faz parte de uma investigação que apura indícios de fraudes nas eleições do sindicato dos taxistas e suspeitas de desvios de dinheiro.

As equipes da Polícia Civil também estão realizando buscas nas residências dos integrantes da diretoria da associação, nas Zonas Norte e Oeste do Rio, nos bairros de Engenho de Dentro, Del Castilho, Riachuelo e Bangu. Ao todo, sete mandados de busca e apreensão foram expedidos pela Justiça e estão sendo cumpridos na Operação A Bico de Pena (uma referência às eleições da época do coronelismo, nas quais os caciques políticos eram escolhidos mediante a elaboração de atas fraudulentas).

Entre os alvos da ação estão o presidente da corporação, o vice-presidente, o tesoureiro e o ex-presidente, que são investigados por organização criminosa e falsidade ideológica. De acordo com a Polícia Civil, o mesmo grupo vem, ao longo dos anos, cometendo fraudes no processo eleitoral para se perpetuar no poder, fazendo apenas um rodízio dos seus integrantes nos cargos da Diretoria. Ainda segundo os investigadores, o presidente Hildo Braga Ricardo possui extensa ficha criminal e já foi, inclusive, condenado por assalto à mão armada.

De acordo com as investigações, iniciadas a partir de denúncias referentes às eleições de 2019, o grupo utilizou manobras fraudulentas para conseguir os votos necessários para o pleito. Entre elas, a inclusão no processo eleitoral de sócios inaptos para votar, por não terem o tempo mínimo exigido de dois anos de sindicalizados ou por não estarem em dia com a contribuição sindical. A delegada Patrícia Aguiar, da 4ª DP (Praça da República), explicou que, para dar um ar de legitimidade às fraudes, o grupo falsificou documentos e matrículas de taxistas.

“Os sindicalizados que não tinham o tempo mínimo exigido pelo estatuto para participar da votação foram inseridos com data retroativa, para simular que já faziam parte da associação há mais tempo. Além disso, para aqueles que estavam em débito, foram confeccionados fichas de anistia e recibos falsos, simulando que as mensalidades tinham sido pagas. Alguns dos próprios membros da chapa, como o tesoureiro, não poderiam concorrer às eleições por não estarem em dia com os pagamentos. A intenção era tornar regulares eleitores que não possuíam condições legais para participar do pleito”, disse a delegada.

Ainda de acordo com a Polícia Civil, membros da própria chapa foram inscritos usando números de matrículas de outros taxistas, com datas de associação alteradas. As investigações revelaram, por exemplo, que um dos integrantes eleitos para a Diretoria possui duas matrículas, uma delas, fraudulenta. Além disso, outro membro do grupo possui três fichas de qualificação, com datas entre 2011 e 2019. O eleito para vice-presidente também não poderia participar, mas foi ilegalmente anistiado.

A delegada Patrícia Aguiar explicou ainda que outra manobra utilizada pelos investigados era inviabilizar a participação de chapas concorrentes nas eleições. Para isso, sempre que apareciam outros grupos, estes eram informados de que não poderiam apresentar suas candidaturas sob a alegação de que um ou mais componentes não estavam quites com a contribuição sindical, simulando mensalidades antigas em atraso.

“Isso era feito de forma premeditada para que não houvesse chapa concorrente. Dessa forma, o grupo vem conseguindo se perpetuar indefinidamente na Presidência do Sindicato dos Taxistas e, em decorrência disso, praticar outros crimes, que também estão sendo investigados. Os indícios e provas que temos revelam que os interesses desse grupo na administração da associação nada tem a ver com a verdadeira função de zelar pela classe dos taxistas”, afirmou a delegada Patrícia Aguiar.