Colunista Lorena Serpa | Pessoas não são rótulos

70

Você já parou para observar o quanto nós rotulamos pessoas e somos rotulados? Que na maioria das vezes pessoas são “conhecidas” pelos inúmeros rótulos que leva consigo e não por quem ela realmente é?!

Nós temos vivido uma época em que cada vez mais o ser humano é visto por sua aparência a qual é interpretado pelo outro. Muitas pessoas vivem em função daquilo que o outro diz, daquilo que o outro “determina” e às vezes isso se entranha na alma e passa-se acreditar que essa interpretação é uma verdade, o que 90% das vezes não é!

De acordo com o dicionário Aurélio, a palavra rotular significa: colocar rótulo ou etiqueta em; qualificar de modo simplista; classificar, reputar. Rotular, em sentido figurado, significa colocar etiqueta, tipificar, comparar, julgar ou prejulgar alguém com base em determinadas características ou comportamento da pessoa. O rótulo atribuído a uma pessoa, em forma de apelido depreciativo ou em forma de preconceito, é uma das coisas mais nocivas para o ser humano. Se as pessoas em geral tivessem a mínima noção do impacto provocado pelos rótulos negativos, elas seriam mais cuidadosas na transmissão da mensagem e, portanto, menos prejudiciais ao desenvolvimento alheio.

Você já notou que algumas atitudes isoladas tendem a ser reforçadas a partir de um comentário negativo? Vamos supor que num determinado momento você se recusou a ajudar um colega de trabalho pelo fato de estar muito atarefado e não poder ajudá-lo naquele momento. Por conta da pressão vivida naquele instante, você o fez de maneira mais ríspida e isso foi tomado como grosseria. Talvez você não estivesse bem, aliás, ninguém é obrigado a levantar bem todos os dias. Naquele mesmo instante, aquela pessoa a pedir ajuda saiu dali chocada e foi direto para a mesa do colega vizinho e começou a reclamar: – fulano é cara difícil, colaboração zero. Ao mesmo tempo, o outro retruca: esquenta não, ele é assim mesmo. A partir desse momento, a tendência é a de que você seja rotulado como uma pessoa difícil. Devido a situações semelhantes ocorridas em momentos diferentes, o evento ganha dimensão e velocidade impressionante, difícil de ser revertida.

A reflexão é o quanto os rótulos nos cegam em relação as pessoas, pois na percepção humana, primeiro vem o rótulo e depois o relacionamento pessoal, afetivo ou profissional. O quanto perdermos com esta visão míope, o quanto deixamos de conhecer realmente as pessoas por determinadas premissas padronizadas.

A sensação é “tirar a venda dos olhos” e simplesmente dizer ao humano: quero te conhecer. Por onde começamos? É claro que não estamos falando aqui de você convidar ninguém para entrar na “casa” que é seu coração, pois você somente deve abri-lo para quem de fato deseja morar nele, com total confiança e reciprocidade, mas isso é um outro assunto!

Voltando ao assunto, é relevante pensarmos que tudo o que sai do “padrão” é difícil e precisa de muita disciplina para mudarmos nossa forma de compreender. Já dizia o pensador que tudo que é novo nos traz estranheza. Precisamos reaprender a querer conhecer as pessoas como elas são, sem rótulos.

Rótulos, em sentido figurado, são classificações, em geral negativas, que algumas pessoas fazem de outras pessoas por uma característica, um atributo ou um trejeito mal compreendido, na maioria das vezes, para deixar bem fixado!

Rótulos negativos são baseados em impulsividade, eventos relativos, preconceitos, prejulgamentos e, não raro, influência de outras pessoas sobre algo que nem sempre paramos para refletir, mas assumimos aquilo como verdade absoluta. Algo muito perigoso, diga-se de passagem!

As pessoas tem o direito de discordar dos rótulos atribuídos e nosso dever é não insistir no rótulo uma vez que todos as pessoas carregam, de alguma forma, defeitos e virtudes.

O que sai da nossa boca pode marcar a vida de pessoas porque palavras deixam marcas. E essas marcas são difíceis de sarar. Às vezes, elas cicatrizam, mas ficou uma marca. Ela fecha não fica ferida eternamente, mas fica a cicatriz de algo que pregamos com a nossa língua.

Você já rotulou alguém? Pense a respeito.

Lorena Serpa

Pedagoga

Especialista em MBA Gestão Empresarial

Psicopedagoga

Estudante de Psicoterapia