Três meses após morte de Ecko, número de tiroteios cai 32% em áreas dominadas pelo miliciano, aponta Fogo Cruzado

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É isso que afirma a plataforma Fogo Cruzado, que se debruçou sobre os dados três meses antes da morte de Ecko, e três meses após o fim de sua influência nos grupos criminosos.

Três meses depois da morte de Wellington da Silva Braga, o Ecko – o miliciano mais procurado do estado até então–, índices de violência como tiroteios, mortos e baleados tiveram queda de até 32% nas regiões da cidade em que o criminoso tinha domínio.

Tiroteios diminuíram após a morte de Ecko no Rio — Foto: Reprodução/TV Globo
Índices de violência na áreas conflagradas pela milícia de Ecko: queda geral de 32% — Foto: Reprodução/Redes sociais

A queda dos índices de violência é percebida em quase todas as regiões da cidade em que Ecko tinha domínio. As exceções são os bairros de Paciência – local em que Ecko foi morto, na comunidade Três Pontes -, e que sofreu um ataque menos de 24 horas após sua morte por seu desafeto Tandera; e Santa Cruz, outro berço de sua milícia.

Segundo dados da Fogo Cruzado, três meses antes da morte do miliciano, Paciência registrou dois tiroteios apenas. Três meses depois, esse número subiu para seis com dois mortos nos confrontos.

Já em Santa Cruz, os números são de sete para 14 tiroteios após a morte de Ecko com três mortos de saldo.

Registro no berço da milícia de Ecko, na Zona Oeste: Santa Cruz e Paciência tiveram aumento de confrontos — Foto: Reprodução/Fogo Cruzado

‘Falsa sensação de paz’

“Nesse caso específico, as áreas em que Ecko e Tandera tinham sociedade estão em disputa. Eles romperam a sociedade em dezembro passado, e com a morte de Ecko, o espólio está em disputa. Tem ainda o fato do que a área de Paciência/Três Pontes representa: ali é o berço da milícia do Ecko, a central, onde pode haver, por exemplo, mais armas a serem conquistadas. Além da área, que é estratégica e simbólica”, explica Cecília Olliveira, diretora executiva do Instituto Fogo Cruzado.

Ela ressalta ainda que a movimentação das ações criminosas é cíclica, e que os grupos podem estar se organizando, dando uma falsa sensação de paz.

“Em 2018, a despeito da intervenção militar federal na segurança do Rio, foi o ano de pico no número de tiroteios no Grande Rio. Aquele foi um ano onde os grupos se reorganizaram. A milícia lançou uma forte ofensiva contra traficantes. A ADA quase foi extinta. Áreas onde a milícia se estabeleceu, após longas batalhas, tiveram redução no número de tiroteios, pois acabou a disputa. Porém, é importante pontuar que isso é uma falsa paz. Cai o número de homicídios, mas aumenta o número de desaparecimentos, por exemplo”, explica.

Uma dessas movimentações pode estar acontecendo na Praça Seca, bairro estratégico da Zona Oeste que faz interligação com redutos importantes para a criminalidade na Zona Norte.

Ecko, em registro no dia de sua prisão e morte — Foto: Reprodução/TV Globo

Queda de tiroteios na Praça Seca chama atenção

A Praça Seca, que vinha registrando o maior número de tiroteios da região metropolitana do Rio nos últimos três meses (ver abaixo) teve queda de confrontos de até 90%.

  • Praça Seca três meses antes: 105 tiroteios;
  • Praça Seca três meses depois: 11 tiroteios.

O local passou a ser alvo de maior intervenção do estado com operações de uma força-tarefa, que prendeu outro importante nome da milícia do Rio de Janeiro no dia 12 de agosto, o miliciano Macaquinho, ligado a Tandera.

Macaquinho foi preso por Força-Tarefa da Polícia Civil dois meses depois da morte de Ecko — Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

A queda no número de tiroteios foi percebida pelos moradores da região, mas nem por isso eles se dizem livres dos grupos criminosos que atuam na região, mesmo com o reforço no policiamento.

“Não tem mais tiro nenhum. Às vezes escuto fogos de balão, mas em matéria de tiro, eu estou conseguindo dormir, porque antes do policiamento geral, eu não conseguia dormir nem de dia, nem de noite. Dia nenhum”, disse o aposentado Alfredo Castro ao RJ2 no começo de julho.

Uma comerciante que preferiu não se identificar conta que as cobranças da milícia continuam.

“Aqui na Praça Seca, nós estamos numa paz, entre aspas, boa. Sendo que a milícia continua cobrando direto. Eu sou comerciante aqui e eles frequentam aqui. Toda sexta-feira, eles vêm no meu comércio e cobram os R$ 50 e tem que ser pago. Se não pagar, eu vou ter problema. Então o policiamento está bom, mas quem vai acabar com a milícia?”, questionou.