Caos na Saúde: Idoso quase tem pênis decepado no Pronto Socorro de Rio das Ostras

Funcionários da unidade colocaram um "elástico" retirado de uma máscara descartável para segurar uma sonda no membro do paciente, que continua internado

286

RIO DAS OSTRAS – Um idoso de 74 anos, morador do bairro Jardim Atlântico, em Rio das Ostras, quase teve o pênis decepado durante uma internação no Pronto Socorro Municipal. Segundo familiares, Estalem Maia Figueira já sofreu três Acidente Vascular Cerebral (AVC) e está acamado há 11 anos por conta de complicações. Ele foi atendido na Unidade de Pronto Atendimento de Rio das Ostras com um quadro de infecção urinária, onde ficou internado por sete dias.

Após agravamento do caso, o idoso foi encaminhado para o Hospital Municipal, onde seguiu internado por mais 30 dias, entre o prédio principal e uma tenda anexa. Em um exame de rotina, ele foi diagnosticado com Covid-19 e precisou ser levado para o Pronto- Socorro, que é o hospital referência para quem está com a doença. Depois de onze dias na unidade de saúde e já sem detecção de coronavírus, Estalem retornou ao Hospital Municipal.

Por conta da enfermidade que o paciente possui, ele precisa fazer o uso de sonda urinária – que teve que ser adquirida pela família, já que a unidade de saúde não oferecia o material, além de medicamentos. E foi exatamente aí que as complicações surgiram. A nora de Estalem, ao fazer o asseio, percebeu que algo “estranho” estava sendo utilizado para sustentar a sonda no pênis do homem. Durante o atendimento no Pronto Socorro um “elástico”, retirado de uma máscara descartável, que se tornou um tipo de “torniquete” no membro do idoso, dificultando a circulação sanguínea e, até mesmo, ferindo gravemente o local.

“Ele sobreviveu à Covid-19, mas quase perdeu o pênis por maus tratos. Na sexta-feira (17), ele foi transferido para o hospital por estar com uma cirurgia agendada para colocar uma sonda de alimentação”, contou um familiar. De fato, Estalem sobreviveu por um milagre, segundo relatos da família, pois apesar de toda sua fragilidade e limitação, não recebeu o suporte necessário da equipe da unidade de saúde. Wallace Figueira, filho do idoso, contou que a situação no Pronto Socorro, pode ser comparada a um “campo de concentração” (ouça o áudio abaixo).

“Nem banho eles estavam dando no meu pai e eu disponibilizei todo o material. Ele estava com o cabelo igual ao de um mendigo, quando conseguimos o ver. Ele ficou esse tempo todo por conta dele. É muito triste, eu não gosto nem de pensar no que ele passou”, contou.

Fonte: Jornal O Dia