Colunista Lorena Serpa | BEIJO DA TRAIÇÃO

62

O beijo! Como é bom beijar, não é verdade? E quando falo de beijo me refiro a todos os tipos.

Há semanas temos pensado sobre o beijo da traição. E lembrando das muitas falas que vem junto a ele:

“foi só um beijo, não teve nada demais”

“não significou nada para mim”

“beijo não é traição”

….e tantas falas mais poderíamos acrescentar aqui.

Antes de darmos continuidade, vamos pensar sobre o significado da palavra traição. É um substantivo feminino que tem por tradução: quebra da fidelidade prometida e empenhada por meio de ato pérfido; aleivosia, deslealdade; perfídia.

A bíblia, vai nos dizer que a traição se dá a partir da mente, dos pensamentos.

Juntando essas afirmações, nós podemos pensar que não sendo aquele beijo de amigos, o de estalar a bochecha, aquele estalinho recorrente em muitas culturas e entre os círculos de amizades, o beijo entre duas pessoas em caráter exploratório de romance, acontece primeiramente na mente, sim, em nossos pensamentos; Nós imaginamos cada detalhe, a forma que ele se dará, o cenário, as batidas do coração e tantos detalhes mais. A romantização do ato se dá primeiramente em nossa mente. Quantas pessoas já beijamos em nossos pensamentos? Não é mesmo?!

Mas, o que de fato tudo isso tem a ver com o título em destaque? O professor e mestre em Psicologia Sergio Calabrez vai dizer que o ato de nos apaixonarmos nos faz perder a capacidade de raciocínio, de perceber sinais, de se atentar para atitudes que demonstram as reações dos pensamentos. Todo ato de traição não acontece no impulso, ele é pensado, ele é experimentado dentro do campo da imaginação, até que em algum momento ele transpasse para fora por meio da ação. Por isso as frases mencionadas no início desse texto não se harmonizam, pelo contrário, elas contrabalançam e é justamente por isso que acontece a quebra de aliança a deslealdade. E pensar sobre deslealdade abre um leque de ensinamento, sejam eles no âmbito espiritual, entre amigos, na família, entre um relacionamento amoroso, nas relações de trabalho e tantos mais. Muitas vezes somos pegos de surpresa, mas não porquê aquela pessoa não demonstrou que em algum momento faria tal coisa, mas porque estávamos apaixonados demais para perceber os sinais, todos nós demonstramos sinais do que se passa em nossa mente, a questão é se de fato queremos enxergar.

O beijo da traição, muito equiparada ao beijo de Judas, relatado na bíblia que vendeu sua amizade, lealdade e humanidade, por algumas moedas de ouro, em troca de um “simples” beijo, mas a verdade é que o conflito interior sempre existiu, as dúvidas, o seguir sem entender e querer de verdade, de se enxergar como alguém e tantas coisas mais, quando paramos de forma racional para analisar os fatos de forma analítica, percebendo os detalhes intrínseco que se carrega, a gente se depara com verdades que não fazíamos ideia que estavam ali, bem na nossa frente.

Mas, antes de concluirmos essa narrativa refletiva, é importante lembrar que nós carregamos verdades dentro de nós que muitas vezes queremos abafá-las. O motivo? Não sei. Mas, há coisas em nós que poucos, muito poucos são capazes de perceber, porque enxergar os detalhes é algo que as pessoas não mais quererem perceber, pois estão ocupadas demais sendo levadas pela multidão. Pensar e analisar necessita de tempo, necessita se ouvir e ouvir os sinais que inúmeras vezes são demonstradas sem palavras algumas, mas pelas expressões da janela da alma.

Se atenha aos detalhes e não seja traído(a) por um beijo!

Lorena Serpa

Pedagoga

Especialista em MBA Gestão Empresarial

Psicopedagoga

Estudante de Psicoterapia

CEO da Palô Expandindo Potencialidades