Advogada do traficante Marcinho VP, condenada por atuar como ‘pombo-correio’ entre presídios federais pelo país, é presa em Araruama

Prisão foi em cumprimento a mandados de prisão expedidos pela Justiça do Paraná. Mulher foi presa nesta sexta-feira (15) no bairro da Pontinha.

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ARARUAMA – A Polícia Civil prendeu a advogada Elker Cristina Jorge, condenada por colaborar como informante de uma quadrilha de traficantes de drogas. Ela fazia parte da defesa de Marcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, chefe da maior facção criminosa do Rio. A ação da Civil foi em conjunto com a Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP). A condenação da advogada foi em 2019, mas a prisão aconteceu nesta sexta-feira, na casa de parentes, no município de Araruama, onde estava escondida, segundo a polícial.

Segundo a Polícia Civil do Rio de Janeiro, ela era advogada de “Marcinho VP”, líder da maior facção do tráfico de drogas do Rio de Janeiro e, atualmente, preso no Presídio Federal de Catanduvas, no Paraná.

De acordo com as investigações, a advogada intermediava o contato entre criminosos aliados ao bando e presos em diferentes penitenciárias do país, viabilizando a tomada de decisões importantes e fazia uso de prerrogativas da função para transitar e levantar informações de interesse do líder da facção.

Carro encontrado na casa onde advogada acusada de ser ‘pombo-correio’ foi presa em Araruama, no RJ — Foto: Divulgação/PMERJ

Os mandados foram expedidos pela 4° Vara federal Criminal de Cascavel no Estado do Paraná. A prisão aconteceu em uma ação conjunta entre a Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) e Polinter.

A advogada estava na casa de parentes no bairro da Pontinha e vinha sendo monitorada em um trabalho integrado das polícias Civil e Militar. A ocorrência foi conduzida à Polinter.

Com esta ação, a Superintendência de Inteligência e Análise (SAI) da CPP informou que já soma a prisão de 109 indivíduos monitorados, e apreensão de 31 armas, neste ano.

Marcinho VP dentro de presídio no Rio de Janeiro

Ainda segundo a polícia, a mulher presa foi alvo de um inquérito federal nos anos de 2007 e 2009 onde foi monitorada e presa em flagrante após de fazer mais de 70 visitas no presídio federal de Catanduvas, no Paraná.

A investigação resultou de uma carta rasgada e reconstituída por policiais. O conteúdo da carta, segundo a polícia, tratava do rompimento de acordos entre o grupo do Rio de Janeiro e uma organização criminosa de São Paulo e tinha o objetivo de saber a orientação do líder de como a facção agiria dali em diante.

Uma agenda com detalhes sobre negociações relacionadas ao tráfico de drogas e de armas também foi apreendida.

Entrega de bilhetes

Em caso semelhante, a advogada Luceia Aparecida Alcântara de Macedo é acusada de integrar uma estrutura organizada para burlar o sistema penitenciário federal e fortalecer os chefes da maior facção criminosa do Rio por meio da troca de bilhetes envolvendo policiais penais. Ela foi presa preventivamente em junho, ganhando direito à prisão domiciliar no mês seguinte, após ser um dos alvos da Operação Efialtes, deflagrada pela Polícia Federal (PF).

Este grupo, como apontaram as investigações, funcionava como uma rede de transmissão de ordens de chefes da maior organização criminosa do Rio que estão presos na Penitenciária Federal de Catanduvas como Fabiano Atanásio da Silva, o FB, e Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, para integrantes que estão em liberdade. Segundo a PF, Luceia atuava diretamente na transmissão de ordens das lideranças da facção criminosa, sendo a responsável por organizar a entrada e a saída de bilhetes de Catanduvas e de fazer pagamentos a mando dos bandidos