Polícia Civil indicia Rogério do Alphabets, por estelionato em Cabo Frio; Centenas de pessoas registraram contra ele em diversas delegacias do Estado.

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CABO FRIO – A polícia civil do Estado do Rio de Janeiro indiciou na tarde de quinta-feira (25), Rogério Cruz dono do Alphabets, ele foi indiciado pelo crime de estelionato, na Região dos Lagos do Rio. O RLAGOS teve acesso com exclusividade ao processo de indiciamento de Rogério que foi encaminhado para o fórum para ser avaliado pela justiça.

De acordo com a polícia civil, após levantamentos de vários boletins de ocorrências contra Rogério e de várias investigações os policiais concluíram que ouve má fé por parte de Rogério, sendo que o mesmo sumiu com o dinheiro de várias ´pessoas sem dar explicações.

O golpe aplicado por Rogério e bilionários, o mesmo aplicou um golpe em centenas de pessoas espalhadas pelo Brasil todos, começando por Cabo Frio onde o número maior de lesados estão na Região dos Lagos.

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Essa semana Rogério foi visto em Fernando de Noronha no Recife, curtindo com a esposa que está gravida, nas redes sociais surgiram fotos dele ao lado da família comemorando um chá de bebé de seu filho, as imagens revoltaram várias pessoas que foram lesados por ele, que ficaram pé da vida da vida boa que ele está vivendo.

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Ainda de acordo com a civil, o processo de indiciamento foi encaminhado para o fórum e aguarda agora o parecer do promotor e do juiz se vão acatar a prisão do mesmo, pelo crime de estelionato

Vídeo mostra Rogério em Fernando de Noronha

Rogério foi preso em flagrante, no dia 1 de outubro de 2016, ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Natal, no Rio Grande do Norte, com três quilos de ecstasy na mala. O voo era proveniente de Portugal e ele estava acompanhado de uma mulher que foi paga para acompanhá-lo com o objetivo de tornar o transporte das drogas menos suspeito.

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O empresário foi condenado a 11 anos, 4 meses e 9 dias de reclusão. Ele cumpre a pena em liberdade provisória, com uso de tornozeleira eletrônica e obrigação de permanecer recolhido em casa no período noturno e nos finais de semana. Em junho deste ano, três meses após fundar a empresa de investimentos, ele pediu à Justiça para retirar o aparelho de monitoramento, mas o pedido foi negado.

No site da Alphabets, Rogério diz que sua trajetória profissional foi “de jogador de futebol, corretor de imóveis a gerente de restaurante”, até se “encontrar como trader esportivo e investidor do mercado de apostas”. O empresário conta que conheceu o mercado de apostas perdendo dinheiro, até “ver uma oportunidade e perceber o mercado de uma maneira diferente, como investimento”.

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De acordo com a biografia disponível no site, Rogério afirma atuar como trader em quatro bancas em operação e mais de 500 alunos. Ele garante que pode fazer o dinheiro “render como nenhum outro investimento” através do “robô de operações esportivas”.

Além da Alphabets, outra empresa de investimentos sediada na Região dos Lagos fechou as portas nesta quarta-feira: a Investing Lagos, que fazia consultoria de investimentos. Ambas tinham escritório em Cabo Frio, mesma cidade onde funcionava a sede da GAS Consultoria Bitcoin, do ex-garçom Glaidson Acácio dos Santos, que foi preso pela Polícia Federal sob a acusação de montar um esquema de pirâmide financeira que movimentou R$ 38 bilhões nos últimos seis anos.

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Antes de ser preso pela Polícia Federal, no último dia 25, o empresário Glaidson Acácio dos Santos afirmou em um vídeo — disponibilizado para seus clientes — que na cidade de Cabo Frio existiam “muitas empresas que (fazem) uma suposta pirâmide” e disse que estava no mercado há nove anos prestando serviço de consultorias de bitcoins.

Dezoito mil investidores

O anúncio do fim das atividades da empresa vem causando temor em clientes e consultores. Segundo a Polícia Civil, 18.744 pessoas colocaram dinheiro na Alphabets nos últimos meses. Esses investidores são de várias partes do país. No último domingo, dia 12, dezenas de pessoas fizeram uma carreata em Cabo Frio pedindo agilidade nas investigações. Os investidores saíram da praça de São Cristóvão, no bairro de mesmo nome, e seguiram até a 126ª DP num trajeto de pouco menos de dois quilômetros. Com um caminhão de som, as vítimas “pediam justiça” e afirmavam que “90% da cidade de Cabo Frio foi lesada pela empresa”.

Em seu site, a Alphabets se apresenta como “o primeiro robô de operações esportivas do Brasil” e promete lucros de 1,2% a 3,2% ao dia, de segunda-feira a sábado. Ainda de acordo com o site, a empresa fornece um “software gratuito de alta performance objetivando lucros e renda no mercado de apostas esportivas”. Para começar a apostar, é preciso escolher uma modalidade de licença: são oito disponíveis, com valores que variam de R$ 100 a R$ 100 mil.

Um cliente da Alphabets, que preferiu não se identificar, lamentou ter investido mil reais na empresa, no mês passado.

— Efetuei a compra de duas licenças, mas disseram que o sistema mudou e meu saldo foi zerado após a migração. Depois, começaram a cobrar uma taxa de 5% para automatizar o saque. Estou desde o dia 2 tentando efetuar o cancelamento das minhas licenças. Não cheguei a receber um centavo do valor investido — disse o morador de Búzios.

‘Novo Egito’: 30 empresas investigadas

Antes de ser preso pela Polícia Federal, no último dia 25, o empresário Glaidson Acácio dos Santos afirmou em um vídeo — disponibilizado para seus clientes — que na cidade de Cabo Frio existiam “muitas empresas que (fazem) uma suposta pirâmide” e disse que estava no mercado há nove anos prestando serviço de consultorias de bitcoins.

Ele destacou também que a cidade balneária na Região dos Lagos estava passando por diversas “tentativas de golpes, fraudes e assassinatos” aquilo que ele atribuiu como uma disputa no “Novo Egito”. Entretanto ele destacou que seus clientes poderiam confiar em sua empresa, uma vez que dizia ser de consultoria.

A 126ª DP investiga pelo menos 30 empresas que supostamente operam criptomoedas e que, na verdade, seriam pirâmides financeiras. De acordo com o delegado titular Carlos Eduardo Pereira Almeida, esse número poderá crescer ainda mais.

— Estamos com vários inquéritos em andamento. Pedimos que qualquer pessoa que foi lesada nos procure e faça uma denúncia na delegacia — pediu Carlos Eduardo.