Casos de Covid explodem nas plataformas

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Sindipetro-RJ afirma a necessidade da suspensão dos embarques, retirada dos sintomáticos , assintomáticos e contactantes e redução dos serviços e da produção nas plataformas, a fim de manter equipes mínimas a bordo para garantir a segurança de cada unidade e equipamentos, até que se debele esse surto

A teimosia da direção da Petrobrás em não reconhecer a gravidade de surtos de COVID nas unidades offshore, é uma realidade que afeta a vida de quem trabalha nas plataformas. A gestão da Petrobrás afirma que continua o protocolo preventivo que abrange o teste RT-PCR de triagem para o embarque, monitoramento por equipes de saúde e acompanhamento constante do quadro de saúde das pessoas a bordo. Em realidade esse protocolo preventivo mais parece um queijo suíço, de tão furado que está.

O fato é que diversas pessoas têm apresentado sintomas a bordo. Segundo informações disponibilizadas pela Petrobrás, em cumprimento a uma decisão judicial, do dia 03/01 a 09/01, foram confirmados 33 casos de COVID-19 nas plataformas que operam na base do Sindipetro-RJ. No mês de dezembro, nas mesmas plataformas, foram confirmados 10 casos. Ou seja, em oito dias de janeiro, mais que triplicou o número de infectados nas plataformas. Extraoficialmente, o Sindicato está recebendo vários informes sobre surtos nas plataformas.

Camarotes que se tornam “covidários”

As medidas preventivas adotadas pela Petrobrás são insuficientes. Um exemplo disso é o caso da P-76, onde uma parcela significativa da população a bordo está com sintomas de contaminação, seguindo normalmente o embarque de grupos, expondo mais pessoas ao risco de contágio.

Pessoas infectadas se acumulam nos camarotes, e quem chega acaba entrando em um verdadeiro “covidário”. Uma tremenda irresponsabilidade da direção da Petrobrás que se recusa a alterar a rotina de embarques e desembarques para mitigar o surto nas plataformas que se faz crescer com o surgimento da variante ômicron, que segundo especialistas possui uma intensidade maior de contaminação, quando apenas uma pessoa pode contaminar outras 15.

Na quarta-feira (12/01) foram realizados testes em massa na P-74, somente nesta unidade foram constatadas 35 pessoas que positivaram o teste para COVID, com 46 contactantes. Ou seja, em três dias, o número ultrapassou o dado oficial que nos foi encaminhado pela Petrobrás em todas as quatro plataformas (P-74, P-75, P-76 e P-77) que operam na base do Sindipetro-RJ. Segundo nossas fontes, havia a previsão, dada por um gerente, para realização de testes em massa na P-76 para hoje (13/01/2022), o que ainda não está confirmado se de fato aconteceu, e na P-77 na sexta-feira (14/01), pois, segundo informes extraoficiais há situação de surto.

Denúncias de confinamentos em plataformas privadas

Obtivemos a informação de que na FPSO Cidade de Angra dos Reis – MV22, da Modec, que opera na Bacia de Santos, no Pré-Sal, base do Sinditob – Sindicato dos Trabalhadores Offshore do Brasil de Macaé-RJ, há 12 casos suspeitos de COVID-19.

Também recebemos uma grave denúncia de que embarcados da empresa Ocyan estão retidos na plataforma que opera a Plataforma de Mexilhão (PMXL-1), na Bacia de Santos, por conta da suspensão de embarques dado o grande número de contaminados. Os dias de embarque estão extrapolando os 15 dias, com os trabalhadores relatando ameaças e sendo obrigados a trabalhar em dias de folga. Desde de quinta-feira (06/01), há denúncias que nos chegam sobre possível situação de cárcere privado no Flotel Carapebus, em que “ninguém sobe ou desce”.

Mais uma vez fica evidente que, infelizmente, devido à postura da direção da empresa, cada avanço de defesa da saúde dos trabalhadores é sempre fruto do trabalho do Sindipetro-RJ, FNP e demais entidades.

Importância da CAT

É de suma importância que as pessoas enviem para o Sindipetro-RJ evidências de falta ou insuficiência de medidas de prevenção em relação ao coronavírus nas instalações da empresa. Caso a empresa se recuse a emitir a CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) para quem esteja contaminado ou que seja contactante, sendo isso uma obrigação dela, o Sindicato orienta que o empregado envie seus dados para o próprio Sindipetro-RJ para o e-mail [email protected]

Com informações Sindipetro