Acusados de matar advogado de Glaidson e Daniel em Niterói ficaram quase 10 dias hospedados em pousada monitorando a vítima

Segundo os investigadores, dupla colocou inclusive um GPS no carro de Carlos Daniel Dias André, assassinado no fim de maio.

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Investigações da Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo indicam que os dois homens que teriam assassinado o advogado Carlos Daniel Dias André, de 41 anos, no fim de maio, ficaram monitorando a rotina da vítima por quase 10 dias em Niterói antes do crime.

Polícia Civil prendeu nesta terça-feira (22) dois suspeitos, identificados como Rodrigo Coutinho Palome da Silva e Thiago Domingos da Silva.

Os dois se hospedaram em uma pousada em Piratininga, na Região Oceânica, antes do ataque. Eles pagaram 10 dias antecipadamente. Dois dias depois do check in, a dupla, segundo as investigações, conseguiu instalar um GPS no carro do advogado.

“Nós sabemos que o Rodrigo se hospedou em uma pousada no dia 23 de maio, mas investigamos a informação de que ele tenha monitorado a vítima por meses. Nós sabemos ainda que ele saiu da cadeia há nove meses, logo não cometeria um crime tão engenhoso sem ter uma compensação financeira vantajosa. Logo, temos algumas linhas para a motivação e continuaremos investigando”, disse o delegado Pablo Valentim.

Depois de disparar contra a vítima, os dois ainda tinham um esquema de fuga preparado: deixaram um veículo HRV pronto para quando abandonassem a moto que foi usada no momento do crime.

A polícia descobriu, porém, que Rodrigo aparece com carro em uma câmera de segurança no momento em que monitorava o advogado.

Após as prisões, informalmente, um dos suspeitos afirmou que eles foram contratados pra cometer o crime. A policia agora tenta descobrir se de fato eles foram pagos e qual o valor.

Durante as investigações, agentes da Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo obtiveram um vídeo que mostra o crime (veja acima).

Os assassinos estavam em uma moto e atiraram. Na fuga, entraram no carro e abandonaram a moto. Os presos, segundo a polícia, são o piloto (Thiago) e o atirador (Rodrigo).

“Ao longo das investigações conseguimos elucidar alguns fatos importantes para chegarmos aos suspeitos. Eles vêm pra Niterói quase dez dias antes do assassinato e se hospedam em uma pousada na Região Oceânica. Logo em seguida conseguem instalar o gps no veículo utilizado pelo Daniel e passam a monitorá lo. Tudo foi muito bem planejado. Não é um crime simples e agora vamos nos debruçar sobre a motivação”, explicou o delegado titular da DH Niteroi e Sao Gonçalo, Pablo Valentim.

Carlos foi morto em um sinal de trânsito. Os investigadores concluíram que o atirador efetuou os disparos pela janela do carona, onde estava o filho da vítima.

Homem é preso suspeito de matar advogado em Niterói — Foto: Reprodução
Homem é preso suspeito de matar advogado em Niterói — Foto: Reprodução
Moto usada no crime foi apreendida — Foto: Reprodução
Moto usada no crime foi apreendida — Foto: Reprodução

dinâmica do crime, segundo a Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo, foi a seguinte:

  • Carlos Daniel dirigia o seu carro, com o filho no banco do carona;
  • jovem andava com a janela do veículo aberta, quando o pai parou em um sinal de trânsito;
  • o atirador desceu da moto, andou até a janela do carro e efetuou os disparos;
  • o carro ainda anda uns metros até bater em um outro veículo à frente.

O veículo tinha um GPS. A polícia investiga a origem do dispositivo.

Carlos Daniel era ex-policial civil e foi expulso da corporação em 2011, depois que foi preso pela Polícia Federal transportando traficantes que tentavam escapar do cerco à Favela da Rocinha para a implantação da UPP.

O advogado cumpriu 6 anos de prisão. Na cadeia, ele estudou, se formou em Direito e começou a trabalhar na advocacia criminalista. Tornou-se especialista no ramo de execuções penais — área em que advogou para muitos policiais e contraventores do jogo do bicho e máquinas caça-níqueis.

O advogado Carlos Daniel Dias André, de 41 anos. — Foto: Reprodução
O advogado Carlos Daniel Dias André, de 41 anos. — Foto: Reprodução

Em nota, a Associação Nacional da Advocacia Criminal (Anacrim) lamentou a morte do advogado. Confira abaixo:

“É com profunda tristeza que tomamos conhecimento do brutal homicídio que ceifou a vida do advogado criminalista Dr. Carlos Daniel Dias André, na manhã dessa terça-feira.

Daniel era um jovem advogado, muito querido entre os colegas da advocacia criminal, que enfrentou sérios problemas na sua trajetória, mas que, superando todas as dificuldades, tornou-se um advogado aguerrido, combativo e com uma promissora carreira.

A diretoria da ANACRIM – Associação Nacional da Advocacia Criminal, indignada com essa violência e ressentida dessa perda, vem externar condolências a todos os familiares e amigos.

Rio de Janeiro, 31 de maio de 2022.

James Walker Júnior
ANACRIM
Presidente

Flávio Fernandes
ANACRIM-RJ
Presidente”.