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Relações Utilitárias

Relações Utilitárias

Por Rafael Abud

26 de março de 2022

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 Em tempos tão fúteis e de tanta superficialidade, não seria surpresa alguma identificarmos Relações Utilitárias. Você sabe o que é uma Relação Utilitária?

Vamos começar pensando sobre o significado da palavra utilitário: relativo à utilidade; pessoa que considera a utilidade ou o interesse como fim principal dos seus atos; utilitarista.

Relações utilitárias são aquelas onde pessoas se aproximam por sua utilidade, aquilo que você tem a oferecer para suprir uma necessidade. Isso pode se dar em questões emocionais, sexuais, financeiras, sociais e afins. Alguns exemplos: é possível que você seja um(a) bom ouvinte e está sempre pronto(a) para ouvir; pode ser você aquela pessoa que só é procurada(o) para uma relação sexual, sem nenhum comprometimento; aquela pessoa que sempre tem uma grana extra para ajudar alguém, ou é convidado(a) para aquela “baladinha”, mas sempre é você quem paga a conta e, sua procura sempre é por esse fim; pode ainda você ser aquela pessoa de coração generoso(a) e que não sabe dizer não aos muitos pedidos de “ajuda”. É claro que tem o lado bom disso, sim, mas a pergunta que ecoa é: depois que sua utilização termina o que sobra? As pessoas veem você ou somente sua utilidade? Quando é você que precisa de alguém, onde estão todos esses? Chamamos essas descrições de Relacionamentos para satisfação própria. Você é a pessoa que sempre está ali para servir sem fim.

É bem verdade que muitos de nós crescemos sem saber e sem entender o que é um relacionamento saudável, porque a vida toda nós ouvimos que temos que amar, temos que amar, mas temos que amar de qualquer jeito? Há tudo que “reluz”? Que amor é esse que assume para si o lugar de amar sem limites, que vive para servir infinitamente, porque esse “servir” por vezes está vinculado a uma aceitação. Assim, há aqueles que se alimentam desse “ser”, ou seja, os consumidores da serventia. Nós não somos pontes de amor, nós somos recipientes de amor que transborda amor ao outro, a partir do momento que ficamos tentando beber na fonte de amor do outro, essa fonte não é capaz de nos satisfazer e vai gerar frustações, escravidão e sempre uma busca utilitarista de fontes e mais fontes.

Gosto de olhar para nossa sociedade e refletir a forma que os filhos ao se tornarem adultos tratam seus pais já idosos. Já parou para observar isso? Sabemos que existem inúmeras dificuldades nas relações, principalmente nas relações familiares, no entanto, quando paramos para refletir tudo que muitos Pais e PAIS no maiúsculo abrem mão, a doação para o desenvolvimento de seus filhos, as inúmeras noites em claro e tantas coisas mais que poderíamos descrever aqui, e ao olhar esses mesmo PAIS sendo desprezados por seus filhos adultos, jogados em asilos e visitados apenas nos Natais, sendo assistido com o que sobra (de forma literal), abandonados num cômodo da casa como se fossem um objetivo que necessita apenas ser colocado numa prateleira. Filhos que tomam posse de tudo o que seus PAIS lutaram por toda uma vida e simplesmente abandonam esses ao “léu”, muitos passam até necessidades (patológicas, fisiológicas, psicológicas). Você já chegou na casa de um idoso que aguarda há dias o(a) filho(a) ir em sua casa para dar um banho, levar uma comida, ajeitar a goteira no teto da casa…..? Tenho certeza que você trouxe a sua mente imagens e situações sobre esse relato. E tristemente a palavra para isso é a UTILIDADE, durante o tempo que aquela pessoa me serve, é útil para mim, eu a quero o tempo todo, após conseguir aquilo que se deseja, planeja, basta colocar em qualquer lugar numa “prateleira” empoeirada ou simplesmente substituir.

Pensar sobre isso pode parece cruel, pode parecer até mesmo utópico, mas não é! Relações Utilitárias, não é AMOR! Que isso fique muito claro em nossas mentes! Amar e servir necessitam de limites e quando não estabelecemos esses limites, seremos sugados até não restar nada de nós, a não ser jogado fora. Amar é uma atitude racional, amar é ação e toda ação vai refletir aquilo que está no coração, a intenção, a motivação.

Por mais que seja muito bom ser “útil” aqueles que nos cercam, melhor ainda é ter com quem contar, é ter alguém de verdade e não quem interprete um personagem. É ter quem SE FAÇA presente, se importe com quem você é e não com o que você oferece!  É possível que a humanidade tenha perdido o filem, que esteja “dormente”, ou simplesmente aprendeu tão bem como ser um rolo compressor, passando “por cima” de tudo e todos que se esqueceu que lidamos com pessoas e não com máquinas.

Que possamos buscar os tesouros escondidos, com seu verdadeiro valor e sua plena totalidade em SER.

Reflexão baseada no texto de Ronaldo Lidório: a trágica geração que se relaciona com a utilização do outro e não por quem ele é.

Lorena Serpa

Pedagoga

Psicopedagoga Clínica

Estudante de Psicoterapia

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Por Rafael Abud

26 de março de 2022

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