Colunista Dirlei Pereira | Prefeitura tem quase 50 milhões em caixa, 25 mil cestas licitadas, mas em 3 meses governo não entregou um grão de arroz ou feijão

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Tradicionalmente, todo governo que inicia costuma anunciar o chamado Plano de 100 Dias, que consiste em uma lista de metas e ações estratégias prioritárias a serem executadas. É também da tradição se dizer que nesse período as cobranças por serviços públicos de qualidade não devem se dar com muita veemência, pois estaria o governante preparando o campo, arrumando a casa.
Assim, identificar as necessidades econômicas e sociais e adequá-las à realidade das finanças públicas seriam, em suma, as metas a serem atingidas.

Em tese, tudo isso é muito bonito. E na prática? Passados 90 dias da atual gestão, lamentavelmente o que se viu pra valer foi a utilização de duas leis que embora não tenham sido votadas em casa legislativa alguma, são por demais conhecidas do meio político local: a “lei do Gerson” e a “lei de Murici”. Na primeira, todos querem levar vantagem em tudo, enquanto na segunda, cada um cuida de si.

O decreto inconstitucional, ilegal e imoral que criou centenas de cargos, todos com salários elevadíssimos, e a nomeação de secretários com suas respectivas famílias, inteiras, constituem o mais escandaloso caso de nepotismo a que se têm notícia no País. São exemplos chocantes do que a “gente vê por aqui”, embora “a Globo não mostre”. Ora, em tempos de pandemia, para quem está com a geladeira e o armário da cozinha abarrotados, é muito fácil dizer que é cedo para cobranças de programas sociais ou auxílios emergenciais. É muito fácil para os privilegiados portariados cujos gordos salários, faça chuva ou faça sol, todo mês no dia certo estão nas contas.

Diga isso ao chefe de família desempregado. Diga isso àquela mãe que recebia regularmente uma cesta básica da Assistência Social e além disso seus 5 ou 6 filhos almoçavam na escola. É bom não esquecer que milhares de alunos da Rede Municipal de Ensino têm na merenda escolar a única alimentação diária.
Nesse particular cabe lembrar que cidades vizinhas, não tão ricas quanto a nossa, mantém eficientes programas sociais com cestas básicas e, no caso da vizinha Rio das Ostras, entrega a cada um dos 22 mil alunos da rede um super kit merenda escolar, com dezenas de produtos de ótima qualidade. Quem tem fome tem pressa, já dizia o sociólogo Betinho. E não venham com o chororô da falta de dinheiro.

Esse discurso não cola mais. No momento em que escrevia, o Portal da Transparência do Município (não tão transparente como deveria ser) registrava números espetaculares. São mais de 41 milhões de reais em contas, aí não incluídos os fundos de Assistência Social, do Meio Ambiente, entre outros. E mais: os repasses dos royalties do petróleo, que nos últimos 4 ou 5 anos sofreram quedas vertiginosas, agora voltaram ao patamar dos áureos tempos, dos tempos de ouro.

A cidade nada em dinheiro. Mas dinheiro não é tudo. É preciso não roubar e não deixar roubar. Urge a criação de um programa de segurança alimentar que priorize os mais pobres, que invista naqueles que estão abaixo da linha da pobreza.
Infelizmente, ao que parece é pedir muito a quem vendeu a alma ao diabo para voltar ao poder, depois de ficar alijado dele por um quarto de século, exatamente pelos governos desastrosos que fez, especialmente contra os mais pobres. É esperar muito de alguém que fez os acordos os mais espúrios, alguém que se juntou a todos que num passado recente condenava com veemência, chegando a tachar alguns desses de nata da pilantragem.

Quem com porcos se mistura, farelo come, já dizia minha saudosa avó Ricardina, lá no Araçá. O fio de esperança que resta aos pobres e oprimidos é que alguns dos partidos que participaram da campanha e que agora ocupam cargos de expressão na máquina pública, reajam ante à nítida opção do governo José Bonifácio pelos mais ricos e abastados. Aliás, é incompreensível que partidos que tem a defesa do trabalhador ou do social até na própria sigla, caso do PSB e PT, aceitem passivamente a perseguição implacável perpetrada contra trabalhadores informais, ambulantes, assim como aos pequenos e médios empresários, que são responsáveis que são pela geração da maioria dos empregos formais da cidade. A registrar que em relação ao Partido dos

Trabalhadores seu presidente municipal, o Ricardo Cardoso dos Santos, ocupa o cargo de Secretário-Adjunto, na secretaria de Assistência Social. Ao menos no Diário Oficial e na sua conta bancária.

Ainda há tempo do prefeito José Bonifácio se lembrar que em campanha dizia aos quatro cantos da cidade que foi curado de um câncer para ser instrumento de Deus na vida dos mais pobres. A campanha acabou outro dia e o que todos desejamos é que o prefeito não tenha memória curta e muito menos esteja senil.

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Dirlei Pereira é jornalista, Ativista Social e Influenciador Digital.